"Não estamos aqui para ficar confortáveis na CS": a Big Gods nos EUA
- 2 de fev. de 2017
- 7 min de leitura
Conversamos com Jukaah e Baiano sobre a primeira experiência na Challenger Series.

Esta é uma história jamais contada. Não neste país. Não com esses personagens. Não neste cenário. Então aproveite. Sente-se confortável, tome um copo d’água, respire fundo. Tudo pronto? Vamos juntos
:PRÓLOGO - “Here comes a new challenger!”
A Challenger Series NA (NA CS) 2017 - Spring Split, o equivalente norte-americano do nosso Circuito Desafiante, começou também na semana passada, na noite de quarta-feira (25), entrando na madrugada de quinta (26) para os fãs que acompanhavam do Brasil. E certamente o torneio nunca havia sido tão interessante assim para nós, pois pela primeira vez uma organização brasileira teve a coragem de tentar a sorte na terra do Tio Sam - e conseguiu a vaga no torneio de acesso à LCS NA, elite do LoL dos EUA e Canadá.
CAPÍTULO I - Novo país, novos desafios
Falamos da Big Gods, que após uma temporada de altos e baixos no Brasil, mudou sua atuação para os EUA. No fim do ano passado a organização comprou uma das vagas da Qualificatória para a NA Challenger Series, e garantiram a participação na competição. Recentemente, buscando uma identidade mais gringa, adotaram o nome Big Gods Jackals, tendo BIG como sua sigla.

O primeiro desafio da Big Gods foi montar uma escalação. Devido à Política de Movimentação Interregional, PMI, o time só poderia contar com até dois estrangeiros (em relação à região NA, o que não significa, necessariamente, uma restrição a apenas norte-americanos) atuando na escalação, o que exclui a comissão técnica. Assim como aconteceu na realidade, partiremos dela.
CAPÍTULO II - Nomes familiares
No comando da equipe temos o ex-KaBuM Black, ex-Keyd Stars, Edinilson “Jukaah” Vargas. Como isso foi acontecer? Ele explica. “(No) início de novembro a Big Gods me ligou, falando sobre esse projeto de montar um time do zero para jogar a Relegation (Série de Promoção) da NA CS, me apresentou toda a ideia, eu achei um bom projeto e aceitei o desafio”. O técnico não teve problemas de adaptação para trabalhar lá. “Eu já não tinha nenhum problema em morar aqui, estou há 10 meses nos EUA, mas mesmo assim, eu acho que sou uma pessoa muito adaptável ao meio, hahah...”

Jukaah montou um time diversificado e, a princípio, sem outros brasileiros. Geograficamente falando, a equipe tinha dois estrangeiros: o topo, RF Legendary (Ucrânia), e o suporte, KonKwon (Coreia do Sul). Porém, ainda segundo a PMI, os dois são locais da liga norte-americana, por já jogarem lá antes da implementação da Política.
A BIG conseguiu a vaga da NA CS no final do ano passado (15/12), ao vencer a Team Secret por 3 x 0. O único estrangeiro, na verdade, viria depois da vaga conquistada, e é daqui do Brasil.
“Recebi propostas de dois times do CBLoL”, afirma Baiano. “Mas diante da oportunidade de jogar no NA, e confiando que se eu desse meu máximo eu teria grandes chances de subir para a LCS, eu preferi arriscar nisso, mesmo chegando como reserva no time.”
Capítulo III - A estreia
Mesmo com pouco tempo de time e inicialmente escalado como reserva, Baiano atuou na estreia contra uma das equipes favoritas à promoção para a LCS NA, a Gold Coin United (GCU). O desafio não era nada fácil: esse é o time do lendário suporte MadLife. O sul-coreano que ensinou o mundo a jogar de Thresh acabou não jogando contra a BIG por problemas com o visto para os EUA, mas outros jogadores de peso atuaram, como o meio FeniX, também sul-coreano, ex-Liquid, e o caçador Santorin, ex-TSM.
A primeira rodada da NA CS teve jogos simultâneos, e por isso a primeira partida entre BIG e GCU não foi transmitida. A Big Gods, por meio de seu Twitter, fez uma narração play-by-play (jogada a jogada) da partida, que acabou em vitória de Baiano e seus companheiros. Para conferir a cobertura, dá uma olhada no Twitter da Big Gods. Se quiser ver o jogo na íntegra, também pode acompanhar pelo VOD:
O segundo jogo da série, que você acompanha no vídeo abaixo, ficou melhor para a Gold Coin United, mas mostrou que os Bigodudos conseguem jogar em um nível mediano mesmo sem a comunicação funcionando perfeitamente, pois Baiano ainda não domina completamente a língua inglesa e é influente nas decisões do time. Resultado final: 1 x 1, um ponto para cada lado.
Para Baiano a maior dificuldade até agora é a comunicação: “nunca tinha passado pela situação de não conseguir expressar o que realmente penso, principalmente no calor do jogo, que 2 segundos podem fazer toda a diferença.”
Segundo uma postagem em sua página oficial do Facebook, o jogador afirma que tem aulas diariamente. Questionado sobre estar jogando na Challenger Series mudar um pouco sua experiência de estar no exterior, ele continua: “O fato de ser na CS, pelo menos pra mim, é só uma motivação a mais, porque tenho a oportunidade de realmente construir tudo com minhas próprias mãos, e não deixar nenhuma dúvida de que sou capaz, que algumas pessoas poderiam ter se eu só entrasse em um time já pronto na LCS.”
Capítulo IV - Penteando o Bigode
“Ser um azarão não significa ser um perdedor.” - Likkrit, 2016. Jukaah sabe que os desafios são grandes, mas também sabe que são possíveis de serem vencidos. Mesmo lutando contra o favoritismo dos rivais, disputando contra times que têm jogadores já consagrados em grandes ligas, o treinador brasileiro mostrou plena confiança em seu trabalho e no potencial de seus jogadores.
LoLeSports BR: Por que o Baiano?
Jukaah: “Eu precisava de um jogador reserva, ele estava disponível. Claro que o tempo que trabalhei com ele na Keyd fez toda a diferença em contratar ele, já que tinha outros nomes para o posto aqui no NA.”
L: O Baiano comentou nas redes sociais dele que ele é o único shotcaller do time. Foi por este motivo que ele foi escolhido?
J: “Na verdade ele não é o único, o Wiggily (Caçador) e o RF (Topo) ajudam muito a comandar o time, ainda mais que o Baiano ainda não tem o inglês dominado. Mas com certeza ele foi escolhido por apresentar um jogo mais agressivo e ter uma boa tomada de decisão”, responde o técnico.
L: Qual é a sensação de ter conseguido? Como é fazer parte da primeira organização brasileira a disputar uma liga oficial em uma das grandes regiões?
J: “É muito gratificante. (Foi a) primeira vez que tive carta branca para montar um time onde eu escolho quem joga ou não, como são os treinos... ver que fiz tudo isso, e com bons resultados, me deixa muito contente. E sobre ser uma organização brasileira, não acho que muda muito, mas sobre técnicos e jogadores vindo do Brasil, eu acho muito importante essa mudança. Pra mim, a maioria dos jogadores brasileiros são muito confortáveis com seus resultados no Brasil e não querem arriscar alguma coisa maior, então esse primeiro passo pode ajudar a mudar a cabeça dos jogadores.”

L: Vemos muitos jogadores brasileiros indo para o LAS, num movimento parecido com as importações de coreanos de, basicamente, todas as grandes regiões. Acha que esse primeiro movimento, seu e do Baiano, pode acabar abrindo a porta dos EUA para os brasileiros?
J: “Creio que sim, estamos fazendo um bom trabalho, e sei que tem jogadores com potencial de jogar em times do NA e EU. Mas ainda acho que são 2 pontos: os times têm que querer, e esse início comigo e com o Baiano pode abrir a cabeça dos times; e os próprios jogadores do Brasil (têm que) sair da zona de conforto e tentar alguma coisa fora.”
L: O brTT afirmou no League News do dia 25/01 que houve um contato da Big Gods com ele. Sendo você o responsável por montar o time, qual foi o pensamento por trás disso? Quão impactante seria para o time e para a liga se ele tivesse aceitado?
J: “Bem, eu precisava de um atirador bom, no qual eu confiava na habilidade. Impacto para o time eu não consigo imaginar, já que temos um grande atirador no nosso time no momento, mas para imagem do Brasil poderia mudar muito, e seria uma grande mudança para todos.”
L: E qual a expectativa para o restante da competição?
J: “Sem acreditar no qualify eu nem começaria o trabalho. Sempre olhando pra cima. Mas claro, nada é fácil. Mas seguindo os resultados de treinos, eu posso dizer que temos capacidade de ir para a qualificatória da LCS.”
CAPÍTULO V - A redenção de Baiano
Baiano vem de um ano agitado. O vice na Primeira Etapa do CBLoL 2016 precedeu uma doença bastante complicada, que afastou o jogador do Competitivo por algum tempo. Guerreiro, Baiano superou, recuperando sua saúde, e logo voltou a jogar em alto nível. No entanto, pouco tempo depois viria o seu afastamento da Keyd, e durante a Janela de Transferências ele acabou ficando sem time. Hoje, na Big Gods, Baiano vive um momento de renovação em sua carreira. Ele respira novos ares e busca resultados inéditos a um brasileiro: a sonhada vaga na LCS NA.

LoLeSports BR: Você veio de um ano de altos e baixos. Como você vem para 2017?
Baiano: “Depois de um ano muito difícil eu tirei uns meses do final de 2016 para cuidar de mim e da minha saúde, física e mental, pra agora em 2017 eu realmente conseguir fazer o meu melhor. Eu ainda não estou no meu 100% dentro do jogo. Passei vários meses sem treinar e ainda cometo uns erros bobos por estar um pouco fora de ritmo no jogo, mas no geral estou aumentando muito meu conhecimento e acrescentando muito no time.”
L: Os seus objetivos enquanto time são um pouco fixos: garantir a classificação para a LCS. Mas e o Baiano? Onde você, pessoalmente, quer chegar?
B: “Sem dúvida levar o time até a LCS é o foco principal, mas como meta pessoal também quero ser reconhecido individualmente no cenário norte-americano como um dos melhores na minha posição, e acredito que em alguns meses isso será possível.”
L: Você disse que vê a Gold Coin United como o melhor time da competição. Ao mesmo tempo, o Jukaah demonstrou confiança no trabalho de vocês. Como você enxerga a posição da Big Gods Jackals no campeonato? Quais as chances de subir à elite norte-americana?
B: “Atualmente eu diria que somos o 3º melhor time, mas isso só se deve ao fato de eu não conseguir acrescentar tudo que eu posso ao time. Ao longo das semanas, com meu inglês melhorando, a evolução do time será exponencial a isso, e o foco é garantir a vaga nos playoffs pra ganhar mais tempo pra essa evolução acontecer.”
CAPÍTULO VI - O trabalho continua
Jukaah se despediu e interrompemos a entrevista, pois era chegada a hora do time treinar. Faltavam apenas cinco minutos para o primeiro bloco de scrims do dia começar. Mas a frase ficou na cabeça: “não estamos aqui para ficar confortáveis na CS.”
Essa história ainda terá vários capítulos para se desenvolver. A programação completa da Big Gods Jackals na Fase Regular da NA CS, você confere a seguir, já atualizada para os horários de Brasília:
Semana 2 - quarta-feira, 01/02 23h - Big Gods Jackals x Delta Fox
Semana 3 - quinta-feira*, 09/02 2h - Team Gates x Big Gods Jackals
Semana 4 - quinta-feira*, 16/02 1h - Tempo Storm x Big Gods Jackals
Semana 5 - quinta-feira*, 23/02 1h - eUnited x Big Gods Jackals
*Os jogos sinalizados como quinta-feira são todos de madrugada para nós brasileiros, acontecendo na madrugada entre quarta e quinta-feira.
Fonte : LoLEsportsBr



















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